Pai Santana de Todos os Anônimos

O futebol é muito mais que um jogo e isso todos estamos carecas de saber. O que algumas vezes não vemos, ou os grandes veículos fazem questão de omitir, é que não são apenas 11 homens que fazem uma equipe.

paisantana2Afora os que judiam da bola atualmente, a imprensa faz questão de destacar o trabalho da comissão técnica, e pasmem, do departamento de marketing e dos tais gerentes de futebol (alguns merecem até cobertura especial na apresentação). Ao mesmo tempo, se esquecem de personagens essenciais para o funcionamento do clube. O roupeiro, o maqueiro, o zelador, o porteiro, o pessoal da cozinha, e toda essa gente realmente de bem que mesmo longe dos holofotes, faz a coisa funcionar. Nunca houve anônimos tão importantes dentro de uma equipe de trabalho.

Nas fotos de “bastidores” dos jogos, lá estão eles: sem nome na legenda, muitas vezes enfocados como meros serviçais para que todo o show fique pronto e as chuteiras coloridas possam, devidamente laceadas, agredir o gramado Bermuda recém-molhado “para a bola correr”.

São os que fazem a bandagem, acendem a vela no altar, carregam a caixa de gelo, empunham a maca, carregam os chinelinhos e deixam a roupa dobrada para a equipe de mídias sociais fotografar e publicar no Instagram.

No entanto, alguns desses personagens sobrepujaram o anonimato e ocuparam o devido posto de folclores do futebol. O maior deles, sem dúvida, foi Eduardo Santana, o famoso e inesquecível PAI SANTANA.

Além de massagista, PAI SANTANA era pai-de-santo. Também foi lutador de boxe. Desenvolveu seu trabalho em clubes como Bahia, Fluminense, Botafogo, Vasco da Gama e Seleção Brasileira.

No seu caso, o sentido da palavra “trabalho” é dúbio mesmo. Em alguns casos, sua interferência se dava no campo espiritual, com o intuito de prejudicar o adversário. Na final do Brasileiro de 1974 contra o Cruzeiro, espalhou ovos pelo gramado antes de começar a partida. O vascaíno Pérez se contundiu ao pisar em um deles para dar lugar a Ademir, responsável por um dos gols que levaram o cruzmaltino ao título.

As velas acesas no vestiário, a bandeira estendida no gramado, suas vestes brancas, tudo isso o transformou em uma lenda, com cadeira cativa no site do Vasco da Gama.

Futebol é religião. Talvez a maior de todas.

Futebol é mandinga. Do começo ao fim.

Futebol é feitiço. E sempre será.

Pai Santana encarnou tudo isso. Sabia que era parte importante do time. Do clube. Do futebol. Virou ícone de um esporte que hoje considera ícone qualquer um com visual de boy band. Perdoe a nós todos, Pai Santana. Eles não sabem o que fazem. Nem nós, na verdade.

Hoje relembramos Pai Santana. Relembramos também Mike Tyson (o maqueiro do Maracanã), o grande e eterno massagista BOLINHA, o segurança TIM MAIA, e todas as pessoas anônimas que doam a vida para fazer o jogo acontecer.  Agradecemos a todos vocês. De coração. AQUI VOCÊS TÊM NOME.

#RIPFutebol

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Um comentário sobre “Pai Santana de Todos os Anônimos

  1. O eterno coroa das embaixadinhas no maracanã também é ícone, as vezes único alento quando o jogo era horrível rsrs…

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