Coréia do Sul – A Zebra que conseguiu ser odiada

Quando se fala em zebra no futebol, na maioria das vezes lembramos de times carismáticos, lutadores, que marcaram seu nome na história do futebol por chegar até onde ninguém imaginava que pudessem chegar.

Vários exemplos podem confirmar essa teoria: Camarões em 1990, a gigante e inesquecível Internacional de Limeira em 1986, Bragantino e Novorizontino em 1990, Bangu em 1985 e por aí vai.

Porém, existe uma zebra no futebol que nem de longe consegue ser simpática, ou trazer alguma lembrança legal para os torcedores: A Coréia do Sul de 2002.

É óbvio que sempre é gratificante ver um país sem muita tradição no futebol triunfar, ainda mais no maior palco de todos. Mas da maneira que foi, o feito não merece nenhum crédito. Muito menos qualquer memória afetiva.

A primeira Copa deste Século foi também a primeira a ser disputada em dois países diferentes. Japão e Coréia do Sul dividiram a organização do torneio.

O futebol ainda sobrevivia por aparelhos, e alguns grandes jogadores ainda desfilavam futebol e moral pelos gramados.

A copa em si teve seus bons momentos. Senegal sambando em cima da superioridade francesa, a Argentina fazendo um verdadeiro papelão, o Japão conseguindo se classificar para a segunda fase, o Brasil passando aos trancos e barrancos (e com uma ajuda do juizão) pela valente Turquia. Em meio a tudo isso, a Coréia do Sul fez um bom papel e conseguiu chegar até as oitavas de final. E foi aí que o trem começou a sair dos trilhos.

Do outro lado, uma Itália que tinha bons nomes no seu time, além de uma camisa que pesa mais de uma tonelada. A Coréia do Sul, se não era um esquadrão, também não era um bando de nó cego. Normalmente, os europeus seriam os favoritos, apesar do histórico Italiano de nunca ter vida fácil. Mas não foi bem assim.

Após os coreanos empatarem a partida na bacia das almas, o jogo foi para a prorrogação. Primeiro, anularam um gol legítimo da Itália, o que acabaria com a partida graças a MORTE SÚBITA. Depois, Totti sofreu pênalti. O árbitro, antecedendo o que Márcio Rezende de Freitas faria três anos depois, apontou simulação, e expulsou o jogador da Roma. A Coréia conseguiu virar o jogo para dois a um, e se classificar para as quartas de final. Vale ressaltar aqui que durante a Copa, a seleção Italiana foi ESTUPRADA pela arbitragem, com erros grotescos diante de Croácia e México.

O adversário das quartas de final foi a Espanha. O time era sólido, e também teoricamente entrou no duelo com favoritismo. De fato, os espanhóis criaram mais chances. Mas nada adiantou muito. No tempo normal, anularam um gol dos espanhóis, alegando uma falta inexistente. Parecia que não dava pra piorar. Mas dava sim ! Após um cruzamento de Joaquin, Morientes cabeceou para o fundo das redes, o que eliminaria a Coréia do Sul. Rapidamente o bandeira levantou o trapo, para dizer que a bola havia saído de campo antes do cruzamento. Já se passaram 14 anos, e o replay ainda mostra que a bola não na saiu. Bom, disputa de pênaltis após dois gols anulados, agora definitivamente o juiz não poderia fazer nada! Poderia sim ! O pobre Joaquin, que cruzou aquela bola que poderia decidir o jogo, foi cobrar a penalidade. O goleiro da Seleção Coreana quase dividiu a bola com o jogador espanhol. Se adiantou tanto que deixou até um ex-goleiro com inveja.

Resultado final de tudo: A Coréia se classificou para as semifinais, mas acabou perdendo para a Alemanha. Mas ninguém se lembra, ou quer se lembrar disso.

Todos somos cientes que a pressão sobre a arbitragem é gigantesca. Ainda mais para o lado do mandante, ou de um time (ou Seleção) de tradição. Nesse caso, tudo parecia premeditado. Não podemos afirmar, não temos provas e não somos irresponsáveis. Mas não dá pra falar que tais erros grotescos são apenas falhas involuntárias. Pois não foi um ou dois. Foram inúmeros. Citamos apenas os mais lembrados.

Isso para não entrar no mérito da arbitragem do Mundial em geral, que deixaria Javier Castrilli com inveja.

Gostaríamos de relembrar os jogadores da Coréia na Copa de 2002. Não dos árbitros que apitaram suas partidas.

Mas aquilo era um sinal dos tempos: a partir do momento que até as zebras perderam a graça, o futebol começou a morrer.

#RIPFutebol

por Mateus Ribeiro

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4 comentários sobre “Coréia do Sul – A Zebra que conseguiu ser odiada

  1. Amigos moralizadores. Belo texto, mas discordo de um ponto: dá para apontar o motivo sim, sem ser leviano, inclusive. Está no livro Um Jogo Cada Vez Mais Sujo, do escocês Andrew Jennings. Muitos ingressos ficaram encalhados no início e durante a primeira fase da Copa do Mundo, principalmente na Coréia do Sul. Sabemos (se nao sabem, é bom ler os livros de Jennings sobre o tema) que uma das bases do tripé da corrupção na FIFA é a venda de ingressos e pacotes de hospitalidades para os torneios organizados por ela (os outros são a venda dos direitos de transmissão de TV e venda de votos nas eleições e para definir as sedes dos torneios), e, caso a Coréia do Sul não chegasse longe, haveria um prejuízo imenso para dirigentes importantes, como Chuck Blazer e Jack Warner, recentemente banidos da entidade.
    A Coréia montou um bom time, se classificou em primeiro no seu grupo porque, além de ter sido beneficiada no jogo com Portugal, a seleção lusa foi incompetente. Depois foi escandaloso.

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  2. Como falei na página de facebook do R.I.P., eu assisti, do alto dos meus 14 anos, este jogo na casa de minhas tias.
    Como era de se esperar, todos os homens da casa se reuniram pra ver o jogo (eu, meu pai, meus tios e meus primos). Todo mundo queria apenas ver um bom jogo. Alguns torciam pra a Itália, porque queriam ver jogos com times de peso das quartas em diante. Outros queriam ver uma zebra,m as uma zebra ganhando na bola, e não no apito. Quando o jogo acabou, a reação de meus tios e primos foi de nojo, e de meu pai, de incredulidade com aquele jogo.
    Quando soubemos que o próximo confronto dos sul-coreanos seria contra a Espanha, todo mundo já pensou que seria outra desgraça. Mas ninguém jamais podia imaginar que seria tamanha roubalheira. Hoje, quando qualquer amigo ou parente meu escuta que vai ter um jogo da Coreia do Sul, preferem nem assistir, por mais que não vá haver resultado manipulado

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  3. Naturalmente, a Coreia do Sul é a “menina dos olhos” da Confederação Asiática de Futebol. Não ganham nada na seleção desde 1960 e tem favorecimentos de arbitragem tanto na seleção quanto com os clubes na Liga dos Campeões da Ásia.

    Sem contar que a FIFA em primeira instância queria fazer a Copa de 2002 no Japão e os japoneses não queriam sediar o torneio junto com alguém, mas a Coreia do Sul fez até birra pra ser sede daquele Mundial. Sabendo que se não aceitasse dividir a Copa, o Japão teria uma guerra diplomática com os coreanos por causa da rivalidade política dos dois países que atravessa tudo. Ou seja, o Japão teve que aceitar fazer a Copa em dois países contra a sua vontade.

    Por isso que o Japão fez uma Copa melhor que a Coreia, porque não precisou desses roubos pra fazer sua campanha. Tinha um timaço e só foi eliminado na prorrogação contra a Turquia nas oitavas. A ficha do Japão naquele Mundial de 2002 foi limpa e caiu de cabeça erguida ao contrário da Coreia que precisou até de juiz pra chegar no quarto lugar.

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