O primeiro passo

Derrubar a CBF, ou pelo menos a estrutura que ali impera, é um dos objetivos do RIP Futebol Clube. Se o campeonato X ou Y é de pontos corridos ou mata-mata, pouco importa neste momento. Há um problema que vem antes, na raiz, que se desdobra em todo o resto a que estamos assistindo.

Você pode concordar apenas em parte com nossos argumentos, mas algo é inegável: a necessidade de colocar a boca no trombone contra a violência cometida diariamente na direção de um dos nossos principais patrimônios culturais. Afinal, o futebol não é apenas um esporte. Ainda mais para nós, filhos de Macunaíma.

Jogos de poder, domínio de empresários, direitos de transmissão televisiva e corrupção – seja ativa ou por conivência – são aspectos infelizmente cada vez mais evidentes no processo de mortificação e falência da nossa modalidade mais popular. Porém, existem respiros por aí.

Um deles, talvez o mais alvissareiro, é a Primeira Liga. Podemos questionar os cartolas que estão à frente dela; mas, como conceito, tem um potencial de mobilização muito interessante, capaz de atacar o problema por uma frente complementar às iniciativas dos atletas – do sindicato ao Bom Senso F.C..

A criação de uma liga independente talvez fosse o pior pesadelo para Marco Polo del Nero, Coronel Nunes e seus asseclas. E o melhor de tudo: o que era pra ser uma reedição da Copa Sul Minas virou o primeiro passo para uma GUERRA a partir instante em que clubes do Rio de Janeiro decidiram se unir à Liga.

Contando com clubes de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro e uma fórmula simples de disputa, a competição pareceu, no começo, agradar ao Circo Brasileiro do Futebusiness (também conhecida como CBF), que se comprometeu a incluir a competição em seu calendário oficial. Bastaram alguns desentendimentos, de ordem nem sempre nobre, para que a Liga começasse a ser tocada de forma independente.

Outro fator importante é que os clubes negociam os direitos de transmissão com aquela rede de TV que tenta transformar o Brasil em uma Espanha. Pode ser o embrião para que a igualdade se torne via de regra. Falta apenas transmitir os jogos em um horário mais decente, sem depender da última intriga da novela das nove. Quem sabe o trabalhador que acorda cinco horas da manhã não consegue voltar aos estádios sem ter que correr atrás de metrô faltando cinco minutos para a estação fechar?

Como não poderia deixar de ser, a nave-mãe do futebol brasileiro teve que proporcionar alguma presepada no meio disso tudo. E o erro grotesco se deu ontem: o atual mandatário, que atende pelo singelo e sugestivo nome de CORONEL NUNES, vetou a competição. Quando foi questionado a respeito, não conseguiu explicar o documento que ele mesmo assinou. A Liga não se importou e vai iniciar o torneio como se nada tivesse acontecido. Ótimo.

Sendo assim, amanhã veremos o nascer da Primeira Liga. Fica nosso apoio aos clubes que bateram de frente com a maior facção criminosa do futebol brasileiro. Que sirva de exemplo para que outros clubes (até mesmo aqueles que mamam nas tetas da mordomia) se unam para que o movimento ganhe força.

Que seja o início de uma revolução que volte a fazer o futebol brasileiro ser respeitado. Que conte com o apoio da imprensa, para que vozes como as nossas não sejam em vão. Que os torcedores entendam a oportunidade e protestem em frente às respectivas federações e, claro, compareçam aos estádios – pois casas vazias serão uma ótima desculpa para os detratores. Quem sabe os jogadores também não tomam coragem e também contribuam nessa barca? Moralizadores de verdade cuidam do futebol acima de tudo. Mas, como ninguém é santo nessa história, seguiremos de olho.

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2 comentários sobre “O primeiro passo

  1. Acho a ideia da primeira liga excelente, mas com algumas ressalvas. Primeiro, que ela não deveria ser gerida pelos próprios dirigentes dos clubes participantes. O problema disso é o clubismo, que não deixa ninguém enxergar o que é melhor para o todo. Um exemplo disso já vimos com o presidente Kalil, que já quase causou um racha na liga e inviabilizou todo o processo. A liga deveria ser administrada por profissionais, representantes dos clubes que não sejam seus presidentes ou até mesmo por uma comissão criada pela empresa que comprar os direitos e o nome da liga. Acho ótimo que se faça algo independente das federações, mas que se crie mecanismos de se punir o clube que vai mal e que dê oportunidade para clubes considerados pequenos que deem exemplo de gestão merecedora de estar entre os “grandes”. Espero que a liga seja rápida, diferente dos estaduais eternos, dando assim tempo para que os clubes façam sua pré temporada e que se evite desgaste. Pra mim, uma falha grave é não contar com nenhum clube de São Paulo. Espero que possam rever isso o quanto antes. Espero ainda outras coisas, como padronização de uniformes, como na Premier League, com números das camisa e quantidade de patrocinadores. Seria ótimo ver jogos nas manhãs dos fins de semana. O que leva ao principal. Ficar refém da Globo ou de qualquer emissora não dá. É mais do que óbvio que essa é uma das razões do nosso futebol estar perto do fundo do poço.

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  2. Talvez seja uma oportunidade de se resgatar algo como a iniciativa implodida pelo Andrés Sanches e Rede Globo que se chamava Clube dos 13, que já vinha capengando a algum tempo. Esta iniciativa dará a cara do que será daqui por diante.

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