Retrospectiva 2015: mais um ano de saudade

Uma coisa boa aconteceu para nós: o RIP Futebol Clube, ainda que por razões tortas, foi criado para contribuir com a onda moralizadora do futebol. E esses primeiros meses chegam ao fim com muito conteúdo, muitas amizades novas, parcerias de renome e a certeza de que estamos no caminho certo.

Um dos nossos colaboradores, Mateus Ribeiro, emprestou todo o seu amor pela causa em uma retrospectiva que sintetiza bem esse inferno pelo qual passamos – vivos, é verdade.

Um abraço,

RIP Futebol Clube

O ano se aproxima do fim. Outros doze meses em que o futebol foi brutalmente agredido por dirigentes, comentaristas, redes de televisão, grandes portais, federações e toda aquela maldita gama de carniceiros que insistem em destruir um dos maiores patrimônios culturais do nosso povo.

Para começar as reminiscências, podemos começar falando sobre o catadão da Nike/CBF/demais patrocinadores/empresários que, em 2014, passou a maior vergonha da historia do futebol mundial ao ser espancada e mastigada pela Alemanha. Diante disso, o mínimo ideal seria uma revolução. Algo eficaz, imediato, que ajudasse a limpar a casa. Mas é óbvio: da mesma forma que nada mudou com os duros golpes recebidos em 1998, 2006 e 2010, o que aconteceria agora, além de pizza? Aliás, houve um fato novo: a horrenda cartinha da Dona Lúcia, a blindagem oferecida aos protagonistas da desgraça e a transformação do cara que “queria dar alegria para o seu povo” em ícone da criançada. Nós preferimos esperar.

Ao menos nesse ano temos algo para comemorar: o rapa que o FBI organizou dentro da FIFA. Óbvio que será difícil acabar com toda a sujeira e a patifaria dentro da nave mãe que comanda o genocídio dentro do futebol. Mas só de ver o senhor que rouba medalhas passando aperto, o dia fica um pouco melhor – ele e alguns pares experimentarão o ostracismo por pelo menos oito anos. Falta muito, é verdade. Porém, continuamos sonhando em ver todos os porcos engravatados no xilindró. Não faz diferença. Só queremos que sejam punidos e abandonem o barco que eles mesmo ajudaram a afundar.

Falando sobre o futebol propriamente dito, tudo ficou na mesma. O Sonecão 2015 acabou muito antes da última rodada. Pelo terceiro ano consecutivo, é bom que se diga. Títulos merecidos, todavia, mas que levantaram novamente a briga entre mata-mata e pontos corridos. Ao menos para isso o certame nacional serviu. Para 2016, sabemos que pouca coisa ou nada vai mudar. As cotas de TV continuarão desiguais, os times pequenos seguirão subjugados a dirigentes de federação (e da arbitragem), e toda aquela palhaçada à qual estamos acostumados seguirá ocorrendo. Azar de quem perde seu tempo em frente à TV ou em uma arena qualquer.

Dito isso, falemos da imprensa esportiva “e$pecializada”. Tudo continuou como está. Os jovens que nunca arrancaram o toco do dedão na rua continuam exaltando os jogadores da “ótima geração” belga, babando o ovo do PSG e utilizando as amaldiçoadas mesas táticas e afins para tentar explicar o que qualquer pessoa já sabe. Os defensores das arenas continuam a tentar perfumar o público que testemunha uma partida de futebol. Os que tentam contestar tudo de ruim que está acontecendo invariavelmente são podados ou param no olho da rua. O velho balcão de negócios continua a todo vapor também. Porque o que tem de jogador que não serve pra jogar em pelada comemorativa de fim de ano na firma sendo blindado e elogiado, não está escrito no gibi.

Para finalizar, tivemos a grande notícia de que o nosso grandioso inimigo Tiago Leifert enfim abandonou as bancadas esportivas. Seguiu seu caminho de entertainer, fazer o que teoricamente sabe e gosta. Mas isso não o impediu de escrever um texto horroroso dizendo que futebol é business, que são os “modinhas” (que termo descolado, hein?) os responsáveis por sustentar o futebol e demais baboseiras. Todos sabem o pior, né? Sim, muita gente vai comprar esse barulho e vender essa ideia.

O próximo ano reserva a chance para relembrarmos as coisas boas que o passado nos reserva. Não há motivos para se ter esperança. Quanto menos expectativa, melhor fica. O que, certamente, não irá nos calar.

Esperamos o retorno de seres inspirados e materializados na forma de Valdeir “The Flash”, Super Ézio, Valdir Bigode, Tupãzinho Talismã, Vavá Peito de Aço, Edílson Capetinha, Roberto Cavalo ou qualquer monstro semelhante.

Enquanto isso não acontece, tentaremos manter o legado desse pessoal e ensinar ao mundo tudo de bom que esses caras fizeram.

Nossa missão para o ano que vem é enfiar o dedo na ferida, continuar com o olho cheio de sangue, lutar e MORALIZAR.

Feliz 2016. Pelo menos para nós.

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