11 anos sem George Best

Acredite, no futebol já houve espaço para jogadores rebeldes, dotados de uma personalidade ímpar,e que NÃO eram manipulados por patrocinadores.

Um desses jogadores, talvez o mais emblemático, foi George Best. Mulherengo, beberrão, um craque com a bola nos pés e com o copo na mão. Vale a pena ler um pouco de sua historia.

Existe um ditado na Irlanda do Norte que diz: “Maradona good. Pelé better. George Best” (Maradona, bom. Pelé, melhor. George, ‘O’ melhor).

Esta frase diz um pouco sobre o que George Best representou para o futebol britânico.

Nascido em 22 de maio de 1946, em Belfast, capital da Irlanda do Norte, desde pequeno já se mostrava um apaixonado pelo esporte bretão, tanto que quando criança dormia abraçado a uma bola.

Sua carreira profissional iniciou se em 1963 no Manchester United, que ainda estava na sua fase de altos e baixos, e não havia esquecido o trauma do acidente aéreo que matou parte da equipe que havia encantado o mundo nos anos 50. Um jogador envolvente, driblador, rebelde, que ao lado de Bobby Charlton e Dennis Law formou um trio chamado de Santíssima Trindade.

Pelo Manchester United, venceu o campeonato inglês em 1965. Dessa forma, o United foi disputar a então Copa dos Campeões da Europa no ano seguinte. Nas quartas de final, pela frente o forte Benfica, que havia levantado a taça nos anos de 61 e 62. No jogo de ida em Old Trafford, vitoria dos Ingleses, em um 3 a 2 apertado, que garantia apenas a vantagem do empate para os Diabos Vermelhos. Para o jogo de volta no Estádio da Luz, o técnico do United pediu cautela nos minutos iniciais do jogo. Claro que George Best o desobedeceu, e com doze minutos, já havia anotado dois gols. O jogo terminou em 5 a 1 para o Manchester United.

No dia seguinte, era manchete em vários jornais ingleses : “O quinto beatle”. Sua vida fora de campo, regada a belas mulheres, carrões, e seus longos cabelos fizeram com que o apelido pegasse.

Porém, nem tudo é festa, e as farras levaram Best ao alcoolismo. Invariavelmente, chegava bêbado e atrasado aos treinamentos, isso quando ia treinar. Mesmo assim, pode se dizer que a sua capacidade de festejar era proporcional à capacidade de trucidar defesas adversárias. Tanto que após mais uma das diversas suspensões impostas pela direção do Manchester United, que durou 28 dias, Best voltou contra o Northampton Town e anotou seis gols.

Em 1968, o United reencontra o Benfica, dessa vez na Final da Copa dos Campeões da Europa. Vitória inglesa por 4 a 1 , com Best fazendo o terceiro gol, depois de passar por toda a defesa lusitana, comprovando sua fama de jogador decisivo. 

Na final do Mundial Interclubes contra o Estudiantes de la Plata, também foi decisivo,mas para o mal : foi expulso no jogo de volta, o que foi acabando com a paciência dos poucos que aturavam seu comportamento.

Depois disso, caiu em decadência. Chegou a ser preso por oito semanas, por dirigir embriagado e bater em um policial.

Se aposentou em 1984, já no ostracismo.

Além de ser um grande jogador, Best deixou um legado. Talvez o primeiro bad boy da historia do futebol. A primeira celebridade, com certeza, como comprova sua frase que diz :”Eu sou o cara que levou o futebol das páginas internas para a capa dos jornais.”

Falar era uma de suas especialidades. Ser ácido em suas declarações era uma de suas especialidades, para ser mais exato.

Segue abaixo algumas frases ditas por ele :

“O David Beckham não sabe rematar com o pé esquerdo, não sabe cabecear, não sabe fazer faltas e não marca muitos gols. Fora isso, é um bom jogador”;

“Dizem que tentei dormir com sete Misses Mundo. Não é verdade. Foram apenas quatro. As outras três é que vieram atrás de mim”;

“Em 1969, eu abandonei as mulheres e o álcool. Foram os piores vinte minutos da minha vida”;

“Odeio táticas, elas me aborrecem. O que me importa são meus dribles, chego a sonhar com eles” ;

E a clássica:

“Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros. O resto eu desperdicei”.

Infelizmente, em 2002, destruído pela cirrose, foi obrigado a receber um transplante de fígado, mas logo depois voltou a beber. Em outubro de 2005 foi internado com sérios problemas. E um amigo foi até Londres levar uma carta. A carta continha uma mensagem de apoio com desejos de melhoras. E a seguinte assinatura:

“Do segundo melhor jogador de todos os tempos, Pelé”. PELÉ. ELE MESMO.

Best sorriu, olhou para o teto do hospital e ponderou:

“Esse foi o último brinde da minha vida.”

Morreu em 25 de novembro de 2005. Mas está mais vivo do que nunca na memória de quem ama futebol !

por Mateus Ribeiro

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