Fair Play Enganação

Pode até ser que já tenha existido um mundo imaginário cavalheiro, onde sempre se cedia a passagem, seguravam-se portas para o outro entrar e as relações se pautavam pela troca de gentilezas e bons tratos.

Pode até ser que esse mundo ainda exista por aí.

Onde ele não existe – e nisso podemos falar com toda certeza – é num campo de futebol. Tem simulação de pênalti, tem valorização na dor, pra cavar amarelo pro adversário, tem dedo na cara do juiz, tem xingamento ao bandeirinha, tem agarra agarra na área, tem tentativa de gol de mão, tem o diabo. E isso é no mundo todo e em qualquer divisão. 

É a busca da vitória a qualquer custo e a torcida bradando que gol legal é qualquer gol que o juiz deu.

A regra não existe pra ser cumprida a risca, mas sim pra se dobrar na malandragem de cada jogador, quando o juiz não vê.

Se o juiz não viu, tá valendo.

Enfim, é isso o que se vê hoje num campo de futebol. Podia ser mais nobre? Podia. É o fim do mundo ser assim? Pro RIP F.C., é claro que não.

Sai fora hipocrisia.

A coisa mais hipócrita que existe hoje no futebol é o chamado Fair Play. É o beco sem saída pra onde o cavalheirismo no futebol recuou. Tudo que falamos ali em cima acontece e pode… mas vai não devolver a bola quando tem um adversário caído. A imprensa inteira coloca a toga de juiz e recrimina o jogador “mau caráter da vez”.

A hipocrisia é tanta, que na maior parte das vezes, o jogador caído tá fazendo cera. Na maior parte das vezes.

O Brasil, na final da Copa de 1998, perdia de  2 a 0 da França quando um jogador francês caiu para fazer cera. Rivaldo, em sua máxima inocência e falta de foco com a partida, chutou a bola pra fora o que deixou o Edmundo possesso com ele. Se é um desrespeito com o adversário não chutar a bola pra fora, parar o jogo é desrespeitoso com o clima da final. 

Flamengo e Sport foi um caso claro.

No jogo do turno, o Sport com um a menos se desdobrava em artimanhas pra não tomar o empate. Numa delas o Diego Souza – que aquela atura do jogo fazia as vezes de goleiro da equipe pernambucana – isolou uma bola pra fora querendo atendimento pra um atacante que sofria de câimbras, lá no campo de ataque.

Cera, cera, cera.

O Flamengo não devolveu a bola e fez o gol, pra revolta geral.

Ontem, na hora do troco, o jogador René, do Sport, devolveu a bola depois que o jogo foi paralisado pra atendimento ao Sheik, que tomou um bico na canela e ficou caído no gramado.

Pode até ter doído… pode ser até ser que o jogo devesse ser paralisado, como de fato foi. Mas a torcida inteira da casa vaiou o Fair Play, a torcida toda queria jogo.

Confesso que eu queria também.

por Henrique Lederman

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Um comentário sobre “Fair Play Enganação

  1. quem tem que definir o fair play é o juiz se um jogador coloca a bola pra fora para que um jogador seja atendido sendo do time dele ou do adversario o juiz tem que ordenar que a bola seja devolvida a quem fez a gentileza isso evitaria muitos problemas.

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