Poderia ser pior para você: o 7 x 1 foi no meu aniversário

Chegou o primeiro aniversário do 7 x 1. Há um natural alvoroço para lembrar essa data, principalmente por conta dos primeiros doze meses do ocorrido. E, infelizmente, haverá infinitos aniversários para lembrar. Nem uma acachapante revanche apagará da memória a tragédia à qual a maioria de nós assistiu. No meu caso foi um pouco pior: aconteceu no dia do meu aniversário.

Acho que, de certa forma, previ o que poderia acontecer. Não organizei festa alguma. Disse aos amigos e familiares para darem as caras na minha casa caso quisessem – óbvio que priorizariam o jogo. Meu pai me visitou. Minha mulher estava ali, sem muito interesse pelo que viria. Os três, diante da televisão, riam nervosamente a cada gol tomado. Era o diabo fazendo cócegas em 200 milhões de pessoas.

É foda, como diria meu amigo Ricardo, bater na Seleção – já que somos brasileiros. Mas eu não tenho muita certeza se aquela massa amorfa que vestia amarelo no corpo e na alma era, de fato, um esquadrão capaz de nos representar. Era um museu de grandes novidades com exceções pouco identificáveis. A seleção do choro, de quem escolheu esperar, do tóis, do cone, do bigodão do Murtosa, da Dona Lúcia, da derrota.

Mas o resultado da semifinal – sim, faltava só um passo para a final da Copa do Mundo – foi o sintoma mais claro de uma doença que há tempos se manifesta. Um futebol que passou a criar jogadores exclusivamente para exportação, que baniu sinalizadores, bandeiras, instrumentos e o povo das arquibancadas; um futebol que criou arenas teatrais, que fez do jogo apenas mais uma atração em meio à programação gourmet dos eventos esportivos.

Um futebol que esqueceu os fardamentos dos clubes locais e passou a reverenciar as chuteiras coloridas mais que a beleza dos dribles. Um futebol de condomínio, covarde, sem a menor agressividade para impor o seu estilo. Um futebol que perdeu, num bolso enriquecido de cartola, a sua carteira de identidade.

Seleção, como dissemos, é uma escolha. Diga para a gente, com sinceridade: quem você pinçaria para montar um esquadrão canarinho, HOJE? Se o time que representa o país é uma verdadeira MERDA, imagine a fonte de onde saiu isso tudo.

O pior, mas o pior mesmo, é que a gente sabe o caminho certo. Mas não quer seguir.

#RIPFutebol

Por Rodolfo Araújo

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4 comentários sobre “Poderia ser pior para você: o 7 x 1 foi no meu aniversário

  1. Parabens pelo artigo que reflete apenas parte da realidade! Para nao sofrer, faca como eu, nao apoie o Br! E antes dos modinhas virem falar alguma coisa, eu digo uma: torcendo contra ha mais de 20 anos! Sem mais!

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  2. Também foi no meu aniversário. Havia marcado um encontro com amigos num bar pós jogo. Eles me ligavam e perguntavam: Vai ter a festa ainda?

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  3. Foi uma pena e foi no dia do aniverário gastei quase mil reais com Bebidas, a Carne do churras e Fogos … Alguns amigos em casa sem acreditar no que estava vendo pra mim sempre vai ficar marcado infelizmente!!!

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