Maracanã – A Amazônia do futebol

É triste.

O Brasil tá acabando com a Amazônia – assim como o resto do mundo destruiu suas próprias florestas há um tempo atrás. E o que se vê é uma exuberância verde substituída por um extenso pasto ou campo de soja. 

Pobreza… embora renda tanto dinheiro.

Volta e meia alguém dá um pio… sai alguma reportagem na TV ou no jornal.

A gente lê e olha pela janela, tenta escapar, pra ver se alguma coisa chama a atenção e distrai o peito dessa tristeza.

Quando eu vejo o Maracanã hoje, eu sinto a mesma coisa.

O templo que eu conheci criança – gigantesco e monumental – me abria o pulmão, quase sem ar, enquanto tentava ver toda aquela coisa de uma vez.

Não dava.

Restava só o assombro e a emoção pelo jogo.

Hoje, vejo um estádio colorido com umas tendas em cima, empobrecido e vulgar. Não me tira nem um pouco do fôlego, mas me dá um aperto no peito enquanto procuro o pouco que sobrou.

Vejo aquele bando de gente sentada, alguns vibrando quando aparecem no telão, outros tirando foto, nem aí pro time, que passa dificuldade lá embaixo, no campo.

Vejo proibições e mais proibições.

Não pode cerveja, fogos, sinalizadores, bandeiras, torcer, não pode nada. E assim corrigimos e aparamos as arestas do mundo.

Mais e mais, o futebol deixa de ser cultura pra virar blockbuster.

Em busca de consumidores à procura de qualquer dormência, qualquer passatempo vai, se empanturrando de pipoca.

Não tem como não sofrer, diante das fotos do maracanã há algum tempo atrás.

Procura no google, eu não vou descrever. Eu não consigo. Saudade da arquibancada, dos Geraldinos e do teto de concreto imponente. Era algo inesquecível, único, igual La Bombonera. Imagina se La Bombonera fosse toda derrubada para fazer um estádio modelo Copa-sem-sal? Nunca que deixariam, mas a gente abaixou a cabeça e deixou acontecer um dos maiores crimes contra a história do país. 

A impressão é que o Maracanã morreu. E com ele parte do Flamengo, do Vasco, do Botafogo, do Fluminense. Uma parte importante do futebol.

É nítida a riqueza que se perdeu. E ninguém fala nada. Um aqui, outro ali até fala. Mas o mundo do futebol silencia.

E é esse sentimento de normalidade que me mata.

É ver o Maracanã enquadrado, sem graça, que nem floresta arrasada como se isso fosse o futuro.

E não é.

É uma cultura que vai morrendo e virando shopping. Até que ninguém mais se importe, mas continue dando algum dinheiro… porque ninguém tem mais o que fazer no domingo.

RIP.

por Henrique Lederman

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3 comentários sobre “Maracanã – A Amazônia do futebol

  1. É a pasteurização do mundo. Parece que o futuro da humanidade é uma sequência infinita de Mc Donald’s, Wall Mart’s, Starbuck’s e estádios padrão-Fifa sem fim. É a morte de tudo o que é diferente, do que é único, do que é especial.

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  2. Nao so morreu um pouco da historia do Flamengo, do Vasco, do Botafogo e do Fluminense. Morreu muito da historia da Selecao Brasileira de Futebol! Aquela que nos representava, nao essa vendida ao redor do mundo nos amistosos da CBF/Brazil Global Tour. Lembro de momentos historicos da Selecao no Maraca, como o golaco de voleio do Bebeto, o eterno drible do Romario no goleiro uruguaio na suada classificacao para a Copa de 94! Essa epoca, o Maraca era a casa da Selecao! Alguem sabe onde e a casa do time da CBF hoje? Londres, Miami, arredores de Boston talvez? RIP Selecao Brasileira de Futebol

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