Jogadores ou políticos? O marketing no mundo da bola

O amaldiçoado processo de tentar transformar o futebol em algo bonitinho, feito para as elites, atingiu em cheio a personalidade de jogador. Agora é tudo gente DeBem.  

Lembra quando você ouvia pérolas do tipo “ou eu corro ou eu penso?” e chorava de rir? Isso é coisa do passado, de quando o futebol ainda desfilava na nossa essência. Agora, o importante é saber falar, saber se portar como uma estrela de Hollywood. E claro, ter um bom comportamento. Deixar o futebol em segundo plano parece ser algo bem lucrativo pra esses caras também.

Esqueça nomes marcantes. A nova onda é jogador com nome de deputado federal ou criança criada pela avó. Se tiver um sobrenome diferenciado então, melhor ainda. E pensar que antigamente nome composto geralmente era o diminutivo do nome do jogador seguido do gentílico do mesmo.  Óbvio que existiam as exceções. Ricardo Rocha tinha um nome e bigode de ator de filme de foda, mas ele podia. Franco Baresi e seu nome de ditador também podia.

Um País que já teve BETO CACHAÇA, EDMUNDO ANIMAL ,VALDEIR THE FLASH, CARECA,  hoje vê o estádio gritar a plenos pulmões o nome do zagueiro (sic) que nunca deu um tiro na coruja.

Como se não bastasse, já vimos propaganda de cerveja (aquela bebida que não pode ser vendida em estádio) associando jogadores com guerreiros. Os mesmos jogadores que ganham Copa das Enganações, Copa América, e na hora da Copa do Mundo enfiam o rabo no meio das pernas.

Lembrando também que tivemos o valentão de nome composto, que no comercial do telefone que apita só faltou falar que nocauteou Mike Tyson. Mas na única hora que precisou agir como um capitão, teve chilique e fez aquele papelão, em uma Copa do Mundo. Futebol é um negócio sério. E se você não está preparado, é melhor dar linha.

Logo mais vem algum especialista em Marketing, Branding Pessoal, botando jogador para usar chuteira preta, camiseta retrô para tentar nos enganar, mas aqui não. Só se o Messias voltar com o cabelo vermelho do Giovani do Santos, aplique do Macedo, bigode do Zenon, velocidade do Jairzinho, ginga do Viola e chute do Célio Silva. 

por Mateus Ribeiro e Ricardo Morais

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