Dia de jogo não é pra ter só 90 minutos!

Dizem que vivemos a era do imediatismo. Que nos basta ler os títulos de posts ou notícias no Facebook. Que antes tínhamos mais tempo e disposição para trocas afetuosas (ou hostis) com nossa família, amigos ou com aquele colega com quem compartilhamos o espremido assento no transporte público.

Pois é.

Aparentemente, nosso finado futebol, mesmo já velado, sepultado, exumado e enterrado novamente, também padece deste mal.

Cada vez mais espremido entre a grade da televisão e o proibicionismo que impera nas grandes cidades, o jogo futebol tem se restringido apenas aos contados 90 minutos, e não mais às regulamentares 24 horas. A um eufórico fim de semana. A intermináveis 22 anos, oito anos e sete dias, como na época em que ainda corria sangue em suas veias.

Já não há mais tempo para as preliminares e nem para o cigarro. É a era do futebol não-cafajeste. Cabô, cabô. Sem tchau nem bilhete.

Houve um tempo em que dia de jogo era dia de jogo. Dentro e fora do estádio; antes, durante e depois de a bola rolar.

Pernil, rojão, bandeira. Eram tão importantes para uma partida quanto a bola.

Até pela TV o futebol está mais frio.

A subida dos jogadores ao campo, seguida da escalação dos times, deixavam o Galvão, Luciano do Vale, Silvio Luiz e o Osmar Santos tão emocionados quanto um gol do Ronaldinho ou do Tupanzinho. Hoje, a transmissão começa já com o apito inicial. É questão de tempo até a RGT passar a transmitir apenas um VT dos melhores momentos, entre o beijo da novela e o voo da nave mãe Big Brother.

Anúncios

4 comentários sobre “Dia de jogo não é pra ter só 90 minutos!

  1. Dia de jogo no Maraca, a gente chegava meio dia em São Januário para a concentração da torcida. Íamos a pé para o Maraca com os rivais correndo e a polícia escoltando. Chegávamos no Maraca umas 15h, rampa da UERJ, encontro das organizadas, cantoria do lado de fora até as 16h, cerveja liberada, festa na entrada da FJV na arquiba, fumaça, papel higiênico, bolas, fogos pra caralho… Puta que pariu.. acabaram com o futebol!

    Curtir

  2. Ainda existe uma resistência. O RIP é um exemplo. Outro foi o que eu vi sábado em Araraquara.Chegamos umas duas horas antes do jogo. Houve uma concentração de umas 100 pessoas e estas foram a pé para o estádio da velha Ferroviária pelo meio da avenida e com uma bandeirão no antigo mastro de bambu. Era uma bandeira branca com o distintivo do clube. As pessoas param na frente do estádio e além da cantoria ouvia se as dezenas de fogos no ar. A resistência existe.
    P.S.: quarta também teve concentração na favela perto do estádio. Não sei no shopping, mas na favela teve cantoria, bandeiras e fogos. Mas essa é outra história.
    P.S.: A resistência existe. O sangue ainda corre nas veias. E o clássico de domingo que remete ao antigo Rio São Paulo já é saboreado por muitos desde ontem.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s