Parabéns, Vovô

1994 foi o ano do reencontro da Seleção com a Copa do Mundo. Após um incômodo jejum de 24 anos sem levantar a taça, Dunga voltava a repetir o gesto consagrado por Mauro e repetido por Belini e Carlos Alberto Torres.

No Brasil, foi o ano da pororoca de dois dos times mais vitoriosos do país na década. Se, ao fim do ano, o Palmeiras de Luxemburgo conquistava seu segundo brasileiro seguido, em agosto o Grêmio de Felipão levantava a taça da Copa do Brasil e dava início à conquista da América, que se concretizaria no ano seguinte.

O caminho destes dois gigantes seria unido por um terceiro: o Ceará Sporting Club.

O Vozão de Chico, Jaime, Vitor Hugo, Airton, Claudemezio, Ivanildo, Mastrilio, Elói, Catatau, Gerônimo e Sérgio Alves. Do técnico Dimas Filgueiras. Um time com brio, honrando a história do alvinegro, que eliminou, em pleno Parque Antártica, o Verdão de Gato Fernandez, Clebão, Roberto Carlos, Amaral, Sorato, Edílson, Evair… Para desespero da soberba mídia paulista.

A vítima seguinte foi o Inter, no Beira Rio. Nas semifinais, o Linhares-ES, com o Ceará decidindo novamente fora de casa.

No jogo de ida da grande final, a massa alvinegra mostrou sua força. Oficialmente, o público pagante foi de 53.915 apaixonados. Mas a torcida ali era muito maior. Tanto que, duas horas antes do início da partida, os portões do Castelão tiveram que ser abertos, “para evitar uma catástrofe”. Ao final da partida, 0x0. Tudo aberto para a grande decisão no Olímpico.

Na volta, o Alvinegro de Porangabuçu enfrentou o Grêmio de 60 mil tricolores, que fizeram o (finado) Olímpico tremer, e de Danrlei, Ayupe, Emerson, Carlos Miguel, Nildo e Oscar Roberto de Godói. Com um gol de Nildo e um pênalti não marcado em Sérgio Alves (que acabaria expulso no lance), o Tricolor se sagraria campeão, para alegria da Rede Globo, que parece ter assistido a outro jogo.

Ontem, o Vozão conquistou o nordeste, em mais um recorde de público no Castelão: 63.399 pagantes.

E assim, ano após ano, desde 1914, segue mostrando ao país que sua grandeza independe de títulos, Rede Globo, imprensa paulista ou elencos com nomes conhecidos no eixo Rio – São Paulo. Sua força vem de dentro. Sua história de luta e o amor de sua massa não serão nunca ofuscados.

por Gabriel Azevedo

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