Profissão: reserva

O Tupãzinho estava preocupado em ser titular?
Ele era muito mais do que isso.
Ocupava posição fundamental no folclore futebolista, junto ao montinho artilheiro, à falta na entrada da área e ao juiz ladrão.

“A arma do segundo tempo.”

Um termo que vai se perdendo…

Agora a moda é rodízio, variar escalação conforme o adversário.
Coisa de time europeu multibilionário (grandes lavanderias de dinheiro, na maioria dos casos).

E quando lá é de um jeito, logo aqui a imprensa esportiva e os treinadores se organizam pra dizer que tem que ser igual.

Quem nunca ouviu em terra tupiniquim que “todos são titulares”?

Tupãzinho era mais que titular, era mais que reserva.
Era a sombra que pairava sobre um primeiro tempo complicado.
Era o pedido insistente da arquibancada.
Era o fio da esperança no aquecimento.

Seu objetivo maior, sonho e glória máxima, era entrar no jogo correndo e fazer um gol no primeiro toque na bola. Jamais estar em campo no pontapé inicial.

Macedo fugindo da falta, antes de sofrer um penalty decisivo no jogo.
Macedo fugindo da falta, antes de sofrer um penalty decisivo no jogo.

Na Libertadores de 92, o talismã tricolor Macedo saiu do banco pra cavar o pênalti que decidiu o caneco. Tricolor que também contaria com as magias suplentes de Juninho Paulista.

O Palmeiras de 70 tinha Fedato – ícone do talismanato – que, de tanto sentar no banco, virou quase compadre do técnico Oswaldo Brandão, além de estrelar reportagem da revista Placar que analisava os bancos de reserva dos principais estádios brasileiros, dando notas para o conforto ou a visibilidade.

O mais importante: Fedato fazia os gols decisivos.

Fedato com seu sorrisão, ilustrando a Placar.
Fedato com seu sorrisão, ilustrando a Placar.

E é isso que é ser talismã.

Requer especialidade.
É como ser volante, zagueiro, goleiro.
Ser a arma do segundo tempo.

É preciso oportunismo, ousadia e descaso tático.
E não ter nada de polivalente.
Só precisa saber carregar a esperança do povo.

E ter uma estrela reluzente.

P.S.:

Ao buscarmos “Arma do segundo tempo” , uma das primeiras citações do Google é “Lucas Mugni”.

É o fim, temos certeza.

#RIPFutebol

Por Henrique “Kike de Quintino” Barreto

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Um comentário sobre “Profissão: reserva

  1. Melhor que entrar no segundo tempo e fazer gol do título é entrar no segundo tempo, fazer o gol do título e ser expulso logo depois. Grande Cocada!

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