Arena da Baixada: uma pá de cal no futebol paranaense

Sou o coveiro do Água Verde. Tudo falta em minha vida, exceto histórias para contar. Algumas macabras, outras tragicômicas e até mesmo algumas mentiras. Nesta noite chuvosa e fria da bucólica Curitiba, vou contar sobre como foi o enterro do futebol Paranaense e, por consequência, daquele dia em diante iniciou uma bola de neve para a futura morte do futebol brasileiro.

Era 1 de dezembro de 1997. Neste fatídico dia de primavera, o antigo estádio Joaquim Américo Guimarães foi enterrado no cemitério do Água Verde, a um mísero quilômetro do local onde ele nasceu. Começava, ali, o canteiro de obras para a reforma do estádio que, futuramente, passaria lamentavelmente a se chamar Arena da Baixada.

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#RIPFutebol no Paraná

O Joaquim era apenas o Caldeirão da Baixada – nome muito mais apropriado -, local onde o Furacão costumava dissolver seus adversários. Como no Brasileirão de 1996 contra o Coritiba, por exemplo, no vídeo que abre este relato.

Ao assisti-lo com atenção, perceba que, ao fazer o gol, Oséas pratica um movimento típico de Homem-Aranha para subir na grade e comemorar com a galera. Infelizmente, essa função não existe no Playstation – portanto, alguns jovens leitores podem se perguntar do que se trata. É inexplicável, meus caros.

A pá de cal sobre o futebol paranaense tornava-se mais densa com a inauguração da tal Arena – talvez a precursora da gourmetização dos nossos coliseus. A primeira partida, em 24 de junho de 1999, terminou com vitória do Atlético/PR sobre o Cerro Porteño por 2 a 1.

Mas a tentativa de parecer europeu deu-se bem à brasileira. O estádio foi construído pela metade, pois as arquibancadas concentravam-se apenas atrás dos dois gols e em apenas uma lateral do campo. A outra lateral compreendia uma escola cujo proprietário torcia para o arquirrival Coritiba. Resistiu bravamente o quanto pôde para atrapalhar os planos do rubro-negro. Por isso, a Arena da Baixada foi considerada o melhor meio estádio do Brasil por muitos anos.

Curitiba, com essa efeméride, via ruir seu futebol genuíno. Seus campos de váreza cederam espaço a campos assépticos de grama sintética. Acabaram os bandeirões nos estádios, surgiram cadeiras e o irritante grito “senta que eu quero ver o jogo”. Foram-se os fossos que dividiam o campo com a galera, iniciaram os pontos corridos e até a porra da cerveja os caras cortaram do campo. Se eu pegar o FDP que fez isso juro que enterro ele vivo.

Por Bruno “Coveiro do Água Verde” Carvalho

Correspondente RIP em Curitiba/PR

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Um comentário sobre “Arena da Baixada: uma pá de cal no futebol paranaense

  1. Bruno, na contramão temos o Durival de Britto e Silva. Se a molecada esqueceu de como o futebol funciona, eu como paranista não. No meu estádio o placar é com placa, o relógio é de ponteiro, a arquibancada é é arquibancada e se chover, negão, você sai molhado. Chega numa lanchonete lá e pergunte se passa cartão, eles vão rir da sua cara. Antes do jogo eu mato dois espetinhos na frente do estádio e tomo minha gelada. Isso na outra extremidade da rua Rebouças, já na entrada da Vila das Torres.
    Futebol por definição não morreu em Curitiba, meu caro. Teu texto é tão superficial quanto uma análise que limita o futebol das araucárias entre o Coritiba e o Atlético. Cara, vá nas pelejas da suburbana na Vila Fanny, Combate Barreirinha. Não se esqueça que estes times, no mesmo passado qual se encontra aquele estádio do Agua Verde qual a arquibancada era banco de praça. cediam seus melhores jogadores para os três profissionais da capital. O Gralak, lembra, aquele que cobrava lateral como se fosse escanteio, veio da suburbana.

    Então, bixo, um conselho. Curitiba não é do Agua Verde ao Cabral. Assim como nosso futebol não é o Atletiba. Quer sentir o que é arquibancada de verdade, te convido a assistir um jogo do tricolor. E olha que não é fácil como torcer para o Corinthians, Internacional, ou até nossos co-irmãos. Lá o futebol é o mesmo dos anos 90.

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