Corinthians x Palmeiras não é brincadeira

O árbitro autoriza o início do jogo em Itaquera.

De um lado, a organizada do Corinthians sentada, em silêncio, de luto pela chacina na quadra da torcida Pavilhão 9.

Do outro, os torcedores do Palmeiras fazem muito barulho e levantam um mosaico verde que formava o número “93”.

A Globo mostrou isso? Não sei. Provavelmente não. Mas deveria.

O que aconteceu em 1993?

Naquele ano, o Campeonato Paulista era importante. Disputado não só pelos quatro grandes times de São Paulo, mas por clubes encardidos do interior, tais como Inter de Limeira, Botafogo de Ribeirão, Bragantino, Ferroviária, Guarani, Novorizontino, entre outros. Estes times, que hoje fazem parte do campeonato que “não vale nada”, revelavam jogadores, que mais tarde, levantariam troféus da FIFA, da UEFA, da FAFOP, FAPUF e da puta que te pariu.

TRINTA times disputaram o Paulistão de 1993. Foi um puta campeonato! A torcida do Palmeiras tem toda a razão em relembrar este título.

Mas não é só o fato de ser um campeonato difícil que faz o palmeirense lembrar deste ano.

A final foi contra o Corinthians.

Os jogos da final foram assistidos por 94 mil pessoas no primeiro jogo e 104 mil no segundo jogo. Você sabe o que são 100 mil pessoas dentro do Morumbi? Não, porque você senta em lugar marcado e assiste ao jogo sentado.

corpal2Aquela decisão foi o jogo da vida para todos os envolvidos: jogadores, técnicos, juiz, torcida. Era um Corinthians x Palmeiras num mata-mata. Era a rivalidade histórica colocada à prova. Não havia prioridades. Não havia planejamento. Não havia elenco recheado. Não havia ontem e não havia amanhã.

Havia, apenas, Corinthians x Palmeiras.

O que importava era evitar que o Palmeiras quebrasse o jejum de 16 anos ou que o Corinthians ganhasse mais um título estadual.

Vinte e dois anos depois, em 2015, o Corinthians escolheu usar seus titulares num outro campeonato. Entrou em campo com um time misto, seguindo à risca o “planejamento”. E se fudeu gostoso.

Desrespeitou a história do derby. Menosprezou a tradição do confronto num campeonato estadual. Esnobou seu maior rival.

A racionalidade perdeu para a história. O planejamento tomou do coração e da vontade de ganhar. Deu no que deu. Quando o futebol tenta ser outra coisa, sempre se fode. Ou morre, como no Brasil.

Mas este mesmo futebol brasileiro teve um lampejo de vida ontem à tarde em Itaquera.

Que a vitória do Palmeiras seja um desfibrilador capaz de ajudar a ressuscitar o futebol brasileiro e que, no ano que vem, o confronto ocorra novamente. E que no apito inicial, a torcida do Corinthians – em vez de fazer luto por chacinas – faça um mosaico com o número 95. E deste título, você se lembra?

P.S.: Valdivia não merece essa festa. Todos os outros sim.

Por Frederico “Freada” Bádue

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Um comentário sobre “Corinthians x Palmeiras não é brincadeira

  1. Perfeito, adoro a página de vcs e consequentemente o site, ri do P.S. kkk Sou palmeirense e tenho 21 anos peguei o fim do futebol vivo que vcs tanto falam, e nessa semi final ele deu uma renasceu um pouquinho. E não parem esse trabalho, abraço

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