Margarida, gays e o futebol: não há nada para se ver aqui

Essa é uma daquelas histórias que nos fazem ter pesar pelo passar dos dias.
Uma história de quando o Cléber Machado lia um teleprompter e não falava asneira nos jogos de “futebol” (sic).

Vamos falar do Margarida. E através dele falamos também do Borboleta. E do Bianca. E de todos os gays que de uma forma ou de outra marcaram seu lugar no futebol, este esporte agora morto.

E foi pelas mãos dos mafiosos do “bicho” que os juízes que se destacavam no futebol de praia venceram o preconceito e conseguiram seus lugares nas competições regionais do Rio de Janeiro.

É isso mesmo: bicheiro fazia coisa boa e bixa (assumida) entrava em campo.

E juiz nunca foi unanimidade, né? Quantos já pediram as pétalas da Margarida. Teve um jogo do América contra o Flamengo que, bem, vejam vocês mesmos:

Daniel Pomeroy, companheiro de profissão de Margarida, conta que o pessoal comentava que os cartões amarelos do saudoso árbitro para os jogadores bonitos iam com o telefone dele.

Será que há espaço para um lance desses hoje? Eu acho que não. E o que nos resta é o saudosismo de quando existia futebol e se falava de gays nele. Ainda que relegados à menos digna posição e sofrendo com piadinhas e agressões.

Por falar em dignidade, a seleção alemã (argh) tem os seus gays. Demoraram, mas tolerância e diversidade hoje são a marca de um país que começou aceitando imigrantes e cresceu com eles no futebol.

Já no outro lado do 7 a 1 (ai, meu fígado), negros demoraram a entrar em campo. Mulher jogando bola ainda é exotismo. E pra piorar fica essa palhaçada em que nem o Richarlysson nem o Globo Esporte saem do armário.

Quando o Brasil falhou em 1950, teve idiota a culpar os negros.

Quando mulher começou a apitar, o que mais teve foi idiota fazendo piadinha e fiu fiu.

Ao que parece, idiota pronto a julgar alguém pela cor, por dar o cu ou ter buceta é o que não falta no futebol (e no mundo).

Mas pra que eu tô falando disso mesmo? O Futebol já era.

Ele era machista, racista e homofóbico, mas era legal. Algo digno de reforma.

Hoje ele é machista, racista, homofóbico, e só.

#maismargaridaporfavor

ps: Reza a lenda que a história dos três mais célebres juízes gays do futebol carioca iria virar livro. Alguém sabe?

 

por Marcelo “Coxa de Caxambu” Modesto

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