Petkovic: uma das maiores feras do Leão


Em 1999, a então Iugoslávia ainda existia. O país enfrentava uma sangrenta guerra civil e sofria uma intervenção desastrosa da OTAN. A milhares de quilômetros dali, Dejan Petkovic sofria por seus compatriotas, mas não fugia do jogo. Não havia “problemas particulares” capazes de barrar a fera em campo. No relvado, o sangue corria rubro-negro em suas veias. Seus olhos viviam e miravam uma coisa: Vitória.

Muito antes de ficar conhecido pelo gol de falta do Flamengo contra o Vasco em 2001, Pet já havia feito história no Brasil. Entre 1997 e 1999, o gringo se tornava ídolo do maior campeão da Copa do Nordeste – o Esporte Clube Vitória. Levando o time nas costas em diversos momentos, o craque disputou 90 jogos pelo Leão, fazendo 59 gols e se tornando o craque de uma geração de torcedores rubro-negros. Habilidoso, veloz e inigualável nas cobranças de falta, o sérvio conquistou pelo Vitória uma Copa do Nordeste e um Campeonato Baiano, além da artilharia da Copa do Brasil de 1999.

Petkovic no Vitória em 1998 no Adauto Morais

E foi nesta mesma Copa do Brasil, mais precisamente no dia 09 de abril de 1999, que o craque fez uma partida histórica contra o Palmeiras. O empate por 2 x 2 não foi dos melhores para a torcida do Vitória, mas sua atuação foi digna de registro e ficou marcada na memória deste torcedor que pisa no solo sagrado do RIP Futebol Clube.

Eu estava com meu padrinho e um grande amigo dele. O Vitória perdia de 2 x 0 para o time paulistano e o time parecia um bando em campo, salvo apenas alguns lampejos de Petkovic. A história começa a mudar aos 25 do segundo tempo, quando, em uma cobrança magistral de falta, Pet fez o primeiro dele na partida. Três minutos depois, em um rápido ataque do Vitória pela direita, o esforçado (mas veloz) lateral-direito Russo cruza a bola na área e o consagrado goleiro Marcos bota para escanteio. Pet ajeita a esfera com carinho e o embriagado amigo de meu padrinho, em um surto premonitório, crava: “gol olímpico de Pet”. O gringo meteu a bola na gaveta esquerda do arqueiro pentacampeão, fazendo o primeiro dos oito gols olímpicos de sua carreira (dois só no goleirão Marcos), a torcida vai à loucura. Infelizmente, a reação parou por ali.

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O craque saiu do clube em agosto de 1999 rumo ao Venezia da Itália. Para impedir a inevitável despedida, a diretoria baiana criou um “Disque Pet”, em uma tentativa frustrada (que cheira mais a picaretagem) de arrecadar uma grana para mantê-lo no time. Ao final, Pet deixou a equipe que faria ótima campanha no Brasileiro daquele ano, perdendo somente na semifinal para o Atlético Mineiro. Talvez, se ele ainda estivesse na equipe, a história fosse outra. Na verdade, não tenho dúvida de que seria. De qualquer forma, a torcida do Leão agradece para sempre.

*Por Gabriel Ayroza Galvão, embaixador baiano do RIP

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Um comentário sobre “Petkovic: uma das maiores feras do Leão

  1. Ele e ingrato fez um vídeo ou participou de um programa mas não falou da passagem dele pelo Vitória só falou de Vasco e flamengo

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