Papão comeu o Bicho Papão

Até 2003, só 2 clubes brasileiros tinham conseguido vencer o Boca Juniors na Libertadores lá dentro, na pressão da Bombonera.

Um foi o Santos de Pelé que não conta.
E o outro foi o Cruzeiro de Ronaldo.

O desafiante da vez, nas 8as daquele ano, seria o Paysandu, de Iarley.

Era a estreia do Papão na Libertadores e talvez até por isso o medo, o respeito e a reverência ao Boca – habitué e tetracampeão da competição – foram trocados por um questionamento muito mais adequado: “Boca? Que Boca? Jogo tenso, importante, só com o Remo”

O jogo começou lá e cá.
O Boca era forte, tinha Abondanzieri, Battaglia, Schelloto e Carlitos Tevez,
Carlos Bianchi regendo a turma.

Logo no 1o tempo, Robgol – ícone do oportunismo matador – se estranhou com o carequinha Clemente Rodríguez e os dois foram expulsos.

Robgol foi mais cedo pro vestiário. Se não tivesse ido, tinha guardado o seu.
Robgol foi mais cedo pro vestiário. Se não tivesse ido, tinha guardado o seu.

O sangue quente subindo. O jogo correndo e nada de gol.

No 2o tempo, Vanderson solta a cotovelada na cara do Schelloto e vai fazer companhia pro Robgol no vestiário. Pensar na vaca que ia pro brejo.

Mas não.

A bola de pé em pé chegou em ótimas condições pro Iarley, que dominou junto, cortou de leve pra direita – o canto do gol livre, convidativo, claro – e fuzilou.

Abondanzieri só olhou.

Festa nas ruas de Belém.

Torcida do Papão marcando presença.
Torcida do Papão marcando presença.

PS1.
Outro dia – acho que na ESPN , não achei o vídeo – perguntaram pro Iarley qual o momento mais marcante da carreira dele. A pergunta era o gancho pra chamar a matéria do Inter, mas deu errado. Iarley sorriu, lembrou do gol ‘lá dentro’ da Bombonera e mandou um salve pra torcida do Papão.

Coisa de quem já entrou num Mangueirão lotado.

Tá lá. Iarley comemora o golaço.
Tá lá. Iarley comemora o golaço.

PS2.
A nota triste da vitória heroica fica por conta do jogo da volta, quando o Boca devolveu a derrota com juros: 4 a 2 no Mangueirão, jogo que para o RIP F.C. e pra muitos companheiros de jornada foi a final antecipada da Libertadores aquele ano.

PS3.
O Boca ficou tão impressionado com o talento, que levou o Iarley pra reforçar o time, logo depois da Libertadores. Com o time argentino, ele ganhou o 1o dos seus 2 títulos mundiais.

 

por Henrique “Kike de Quintino” Lederman

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