Rodolfo Rodríguez: ele era maior que o gol

Quando o futebol brasileiro era vivo, não faltavam goleiros inesquecíveis e com grande identificação com seus clubes. Zetti, Velloso, Ronaaaaaaaaldo, Gilmar, Wagner são alguns que vem à memoria de primeira. Jogadores incontestáveis, cujos nomes estavam na ponta da língua de qualquer garoto que resolvesse recitar a escalação de seu time de coração ou narrar a própria defesa na pelada de rua.

Estes caras eram bons porque tinham como principal missão defender o gol contra jogadores que eram os melhores do mundo em atingir a meta.

Hoje em dia, ser um bom goleiro nestas terras onde o futebol já reinou é tarefa tranquila, se comparada àquela época mágica dos arqueiros de verdade.

Atualmente, os lindos e modernos gramados estão dominados por jogadores de ataque medianos que se esforçam em esquemas táticos retranqueiros contra defensores mais parecidos com armários. A bola quase não chega no gol! O futebol ficou de quatro com as duas linhas de quatro. O goleirão não é exigido! Ele não precisa mais fazer milagres. Não precisa ser criativo. Não precisa ser elástico. Não teme o atacante do time adversário.

Tanto é assim que nosso titular da seleção brasileira joga na segunda divisão nacional e está acostumado a ser bombardeado sistematicamente defendendo a meta do Botafogo, um ex-grande time que amarga as dores de um ex-futebol.

Volte para a nossa home veja todos os jogadores que homenageamos. Eles jogaram nos anos 50, 60, 70, 80 e 90. Nestes tempos, goleiro tinha que ser bom de verdade pra segurar estes caras!

Um deles merece destaque. No meio deste caldeirão futebolístico, surgiu um uruguaio de nome composto, ou seja, tinha tudo para dar errado. Mas deu muito certo. Ele e seu bigodão se consagraram no Brasil jogando pelo Santos, Bahia e Portuguesa.

Rodolfo Rodriguez foi campeão paulista em 1984 pelo Peixe. Mas a maior parte do tempo em que esteve no alvinegro praiano (até 1988) foi marcada por um jejum de títulos e de falta de talentos no ataque. Resultado: o time passou a ser mais atacado. E não era apenas um aumento de fluxo de bicudas e caneladas ao gol. Quem estava bombardeando o “Paredão”, como era conhecido, eram jogadores consagrados, que fizeram parte das seleções de 82 e 86 e de jovens jogadores que participariam do tetra em 1994.

Pelo Brasileirão de 1987 no Pacaembú, Santos x Vasco ficaram no 0 x 0. Rodolfão encarou o ataque vascaíno formado por nada menos que Mazinho, Donato, Romário, Mauricinho e Roberto Dinamite.

Pelo Brasileirão de 1986, segurou o ataque são-paulino formado por Silas, Careca e Müller.

Contra o Flamengo, encarou Bebeto, Renato Gaúcho, Zico e Zinho.

Jogando contra o Cruzeiro em 1993 (já pelo Bahia), ele não segurou o imberbe Ronaldo Pré-Fenômeno mas deixou sua marca mesmo assim. Para você ver como não era uma época fácil para os goleiros, quando já estava 5 x 0 para a Raposa – com quatro gols de Ronaldo – ele finalmente conseguiu segurar uma bola. A emoção foi tanta que ele soltou a esfera para agradecer aos céus pela defesa realizada – e, claro, reclamar da zaga peneira que lhe (des)protegia. Quando ele terminou a oração, estava 6 x 0 pro Cruzeiro.

É, meu amigo…ser goleiro bom nessa época era para poucos.

Mas o grande feito do Paredão foi ganhar a primeira (e talvez única) defesa de placa da história do futebol. Pelo Campeonato Paulista de 1984 (quando o Paulistão era o torneio que todos queriam ganhar e não essa merda que é hoje), jogando contra o América de Rio Preto, Rodolfo operou uma sequência de milagres que raramente se vê hoje em dia. O feito foi tão impressionante que o próprio atacante do América, Tarcísio, foi acometido por um surto poético e soltou a seguinte frase maravilhosa após a partida: “Rodolfo era maior que o gol”.

Reza a lenda que ele era meio cego. Talvez míope. Não sabemos. Em jogos noturnos, com aqueles refletores que pareciam luz de boate, ele tinha dificuldades para enxergar a bola. Imagine se ele tivesse a visão perfeita.

Que essa lembrança inspire algumas aberrações que temos visto por aí…

 

Por Frederico “Freada” Bádue

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