Danilo: o rei dos clássicos

Guerrero recebe na direita, olha para a área e faz um cruzamento perfeito para Danilo. O meia chuta de primeira, de pé direito, e decide a partida no Morumbi.

“Deus está vivo”.

No mais recente São Paulo e Corinthians pelo Campeonato Paulista (que em outros tempos levaria 100 mil pessoas ao Morumbi, mas que neste domingo de 2015 tinha meia dúzia de gatos pingados), ele era uma exceção.

Parece que os deuses do futebol reaparecem quando Danilo está em campo. Com seu jeitão lasanha e matador, ele caberia em qualquer Corinthians dos anos 60. 

Longe de ser um craque ou unanimidade. Sem passagens pela seleção dos técnicos gaúchos, este mineiro que come quieto parece entender a importância dos clássicos. Sempre foi decisivo.

Quando esteve do outro lado, quem sofria era o próprio Corinthians.

Sobra também para Santos e Palmeiras, esse último derrotado recentemente em sua nova casa e com mais um gol de Zidanilo.

Carrasco? Predestinado? Danilo Gabriel de Andrade é um colecionador de títulos, mas não de equipes. Tem sua vida profissionalmente resumida a apenas 4 times! Mais uma característica de jogador do passado.

Seu jogo cadenciado, muitas vezes criticado como lento, também lembra o futebol de verdade, esse que não existe mais. Tudo bem que não queremos aqui transformar Danilo em Zidane, Sócrates, Pelé ou Tostão, mas sua história no futebol é uma delícia de ser contada e lembrada.

O próprio torcedor são-paulino tem saudades do agora algoz. Ele deve ser mesmo tricolor, por isso faz tanto gol no ex-clube. É uma reação de paixão não correspondida.

Danilo não tem nada dessa chatice moderna de “não vou comemorar o gol contra meu ex-clube”.

Que papo mais chato do caralho. Ele faz gol e sai batendo a mão forte no escudo, não tem essa, ele é de verdade, um matador de clássicos.

Danilo é pescador. Mineiro, sereno, caipira na fala e no jeito, gosta de botas, chapéu e sertanejo de 20 anos atrás, como Leandro e Leonardo. Parece que nada vai atingi-lo. Está vacinado do seu tempo de roça.

Talvez tanta importância e estrela fez com que Tite mudasse seu esquema tático só para poder incluí-lo como titular nesta partida do dia 8 de março.

Próximo de completar 36 anos, o jogador anotou mais um gol. Mais um golaço. Mais um golaço de perna direita em Rogério Ceni, apesar de ser canhoto. Em 2013, ele levou o prêmio de gol mais bonito do Campeonato Paulista do mesmo jeito.

Para completar, Cássio pegou o segundo penalti de Rogério Ceni. Deve ter sido uma grande tarde para os corintianos, apesar do público pífio no Morumbi.

O futebol continua morto, temos certeza disso, mas que o Danilo nos provoca com esses gols, ah, ele provoca! Muito respeito a esse camisa 20 à moda antiga.

Confira comigo no replay, com a narração do imortal José Silvério:

#RIPcamisa10 #RIPfutebol

por Ricardo “Gordel” Morais

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2 comentários sobre “Danilo: o rei dos clássicos

  1. Obrigado pelo texto, amigos. Agradeço pelo site/blog (?) também, por favo continuem.

    O Danilo é daqueles caras que sãopaulino, palmeirense, santista e, claro, corintianos vão comentar com seus filhos e netos no futuro. Vão falar do jeitão e da estrela que o cara tinha. Sem holofote, Sem polêmica, Sem conversinha. Só futebol.

    Além dos clássicos Danilo gosta de finais. Contra o Santos em final de paulistão. O Gol contra o Chelsea foi rebote de um chute dele, contra o Boca, na final da Libertadores, passe de calcanhar para o Emerson.

    Lembro que antes da Libertadores muita gente pediu a cabeça dele. Após o título fiz um compacto com todos os gols dele no certame:

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