O verdadeiro Ronaldo do Timão

Espaaaaaaalma Ronaaaaaaaldo!

Espectador privilegiado, tem sensações contraditórias: quer trabalhar, mas ao ser atendido, seu time sofre. No quadrante de Átila, o Rei dos Hunos, a grama teima em não nascer. É um espaço sagrado: se alguém toca nele dentro daqueles limites, é falta. Sem discussão. Ao mesmo tempo, caso ele derrube um adversário, sofre a máxima penalidade.

Tem um abrigo pobre: um travessão combinado com dois postes, os quais sustentam uma rede na qual ele não deseja entrar. Solitário, veste um uniforme diferente de todos os outros companheiros. Por outro lado, pode agarrar a pelota com as mãos ou espalmá-las. Pode fazer ainda mais: esticar os braços aos céus na saída do gol após um escanteio; construir uma ponte com o próprio corpo ao buscar a bola em um canto inalcançável; ou chutar a bola no tiro de meta com a força necessária para dizer – eu estou aqui.

Na época em que havia goleiros DE VERDADE, havia algo mágico em ser goleiro. Ocupar a posição de antítese do gol, como se fosse um coito interrompido, não é fácil para ninguém. É a muralha, o quase, o não.

Mas, quando o futebol vivia, até essa figura era sensacional. Dava vontade de participar das peladas na rua – se alguém não se lembra disso, a gente cria um verbete – e ir para o gol só para gritar o nome do preferido. E um deles, sem dúvida, era Ronaldo. O verdadeiro Ronaldo da história do Corinthians.

Ronaldo Soares Giovanelli estreou como titular do alvinegro paulista há exatos 27 anos, justamente em um clássico contra o rival São Paulo. Segurou a bomba como nem o mais otimista dos corintianos poderia esperar. Com o lendário Carlos fora de combate, o garoto de 20 anos assumiu a meta para defender a Zona Leste com unhas e dentes no coração pó-de-arroz. Nascia, ali, o ESPAAAAAALMA RONAAAAAAALDO.

Ronaldo1Elástico, catimbeiro, com cabelo extravagante, mostrava que ser um jogador polêmico era um direito também dos goleiros. Trajando às costas um número 1 em forma de algarismo romano, precedeu a rogeriocenização dos arqueiros com atuações memoráveis. Em grandes jogos, brilhava ainda mais.

Ao debutar no gol do Corinthians, agarrou (quase) todas e ajudou seu time a sair vencedor por 2 a 1 em pleno Morumbi. E, para fechar a atuação com a diplomação máxima, bloqueou com as pernas uma batida de pênalti cobrada por nada mais, nada menos que Darío Pereyra – um dos maiores craques uruguaios que pousaram por estas bandas.

Foi apenas o começo de um caminho sensacional no Parque São Jorge, onde passou uma década. Depois, resolveu emprestar seu talento em novas bandas, como no Fluminense, Cruzeiro, Lusa, Ponte Preta, ABC, Lusa Santista, entre outras.

Dá saudade de ter um nome de goleiro para gritar. Dá saudade de ter uma pelada para ser goleiro.

Apaguem as luzes.

Para você, que tem saudade dele, veja este compilado de defesas narradas por Silvio Luiz:

 

#RIPgoleirodeverdade

#RIPfutebol

#RIPpeladanarua

Por Rodolfo “Lex Luthor” Araújo

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5 comentários sobre “O verdadeiro Ronaldo do Timão

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