Edílson: o capeta em forma de guri

No terrão, paralelepípedo ou cimento, o drible é o grande protagonista do futebol. Quanto mais debochado, irresponsável e desnecessário, maior sua perpetuidade nas chacotas ao defensor humilhado que perde a tampa do dedão. O placar do jogo se torna algo efêmero, insignificante, esquecido minutos após a partida.

Edílson Capetinha sintetizava bem esse desrespeito às instituições.

Federações, árbitros, patrocinadores, jogadores adversários, companheiros de equipe… a elasticidade moral das suas pernas não se preocupava com nenhum desses detalhes que compõem um jogo de futebol. Ali dentro só importavam ele e sua plateia.

Na final do Paulistão de 99, Edilson se reencontra com Paulo Nunes e cia apenas quatro dias após seus rivais terem se sagrado campeões da Libertadores, tendo eliminado o próprio Corinthians nas quartas-de-final.

Seguindo a terceira lei da termodinâmica do vai-e-volta, Edílson era o jogador mais provocado em campo pelos palmeirenses de cabelos verdes. A partida se aproximava do seu fim e a vitória era iminente, mas ele sabia que a vingança corintiana só seria completa com uma boa bagunça. Dos gols do jogo, mero detalhe, provavelmente pouca gente se lembre.

No Mundial de Clubes de 2000, a vítima foi o zagueiro cintura-dura Karembeu. Depois de um diz-que-me-diz que antecedeu Corinthians x Real Madrid, o encontro entre Edilson e o francês era aguardado por todos. O rolinho no zagueiro de pernas devidamente fechadas resultou em gol, mas isso é o que menos importa. Eles já haviam sido apresentados segundos antes.

Mas Edílson ainda estava aperfeiçoando sua técnica do deboche como fim em si mesmo. No Brasileirão 2005, ele volta ao Pacaembu, mas, desta vez, com a camisa 10 do São Caetano. O reencontro com o estádio, o ex-clube e sua torcida, seu próprio clube e o campeonato pareciam importar pouco pro Capetinha.

Ele entrou em campo apenas pra vencer uma aposta: não podia sair de campo sem dar ao menos duas canetas no badalado Mascherano.

Aposta ganha, foi a gota d’água pro argentino se exilar e buscar vida mais tranquila na Europa.

Muito prazer: ele era Edilson, o Capeta.

#RIPfutebol #RIPcapetinha

por Gabriel “Gabbo” Moura

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2 comentários sobre “Edílson: o capeta em forma de guri

  1. Foda, Edilson é um grande exemplo do futebol, os de hoje em dia não são exemplo de nada, porque não jogam futebol, apenas entram nos estádios, recebem seus salários e pronto.

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