Castrilli: não se faz mais juiz ladrão como antigamente

Xerife, em campo, tem que ser zagueiro. Mas com esse lazarento, no entanto, a regra era outra.

Alguns sabem lidar com a norma e a autoridade, outros, enrolam-se nas tentações do poder. Deve ser perturbador ter a chance de mudar o enredo de uma história ao simples silvar de um apito. A realidade, por vezes, torna-se ficção e vice-versa.

Ele veio ao Brasil para arrasar um dos nossos times mais queridos debaixo dos bigodes de todos. Inteiramente trajado de amarelo, sua ilustre visita deveu-se a uma das mirabolantes invenções da Federação Paulista de Futebol (essa invenção no caso queria “qualificar” a arbitragem do campeonato estadual de 1998).

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Castrilli, em desastrosa atuação contra a Lusa

O dramaturgo Javier Castrilli transformou em tragédia o que parecia um conto de fadas para a Portuguesa.

Em uma semifinal equilibrada contra o Corinthians naquele Paulistão, o juiz – apelidado de Xerife na Argentina, sua terra natal – assinalou um toque de mão do zagueiro César, da Lusa, quando na verdade ele interceptara com o tórax um cruzamento efetuado por Fernando Diniz na ponta esquerda do ataque alvinegro.

Num sopro, o império de César caiu.

Rincón converteu o penal impiedosamente, fechou o placar em 2 x 2 e decretou a ida do Timão à final contra o São Paulo, vencida posteriormente pelo tricolor (após a chegada no último minuto de Raí, o Terror do Morumbi, importado diretamente da França). Quando o futebol existia, o São Paulo ganhava um mata-mata do Corinthians.

A indecorosa atuação passou impune e a Portuguesa demorou a recuperar-se do baque. O beque, por sua vez, chorou rios caudalosos depois do fato. Ou do fado.

Aquele foi o último ano profissional de Castrilli, que, além de romper as relações diplomáticas entre Portuguesa e Argentina, quis apitar em outros campos. Tornou-se político e arriscou candidatura à prefeitura de Buenos Aires. O povo da Prata, obviamente, não permitiu tal façanha.

Os lances da partida estão acima, num vídeo pouco nítido, mas que vale pelo off sensacional do gigante Léo Batista.

Não se fazem mais escândalos como antigamente.

#RIPFutebol

#RIPGolsdarodada

#RIPloucurasdaFPF

por Rodolfo “Lex Luthor” Araújo

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