Até o rango foi gentrificado no futebol

Na época em que o futebol ainda existia (pré-2002, nosso ano cabalístico), era uma delícia beber uma cerveja nos estádios.

Comer aquele churrasco acompanhado de uma latinha antes dos jogos. Tinha algo melhor que isso? Em frente aos portões, bombas, rojões, aquela tensão. Cenário perfeito para uma mordida num apetitoso Jesus Me Chama (o sanduba de pernil).

Tropeirão no Mineirão: resistência

Quem dera voltar no tempo pra beber mais uma, podia ser até quente.

Mas aí chegaram as regras para não poder comer e beber em não sei quantos x metros do estádio. Uma caralhada! Mais um besteirol vindo do Ministério Público. Ou da Fifa. Quantas merdas esses caras já fizeram para o futebol? Deixa a sociedade se foder e ser feliz em paz, puta que me pariu.

O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, achava que ambulante era uma ameaça a ser combatida. E em sua política higienista ele limpou a cidade de São Paulo de hotdogs, churrasco, linguiça, pernil milho, yakissoba, churrasco grego, etc. Diminuíram muito. Foi uma lástima.

Tanto fazia se você saía do Morrisey ou do Pacaembu. Tinha que andar uma caralhada de metros para poder satisfazer sua fome e sede.

No Maracanã você tem que ser uma espécie de Romário dentro da área para conseguir comprar uma latinha de Antartica quente nos entornos do estádio.

O Mineirão mantém bravamente a tradição do tropeiro. Aliás, vale uma ida ao estádio para comer um tropeiro salgadão para contrabalancear esse time insosso do Cruzeiro.

Passarela do álcool, cercanias do Santa Cruz: resistência
Passarela do álcool, cercanias do Santa Cruz: resistência

No estádio Santa Cruz em Ribeirão Preto, do nosso amado Botafogo, os ambulantes e a torcida criaram a Passarela do Álcool, a uma quadra do estádio. Olha que muita gente vai nos jogos hoje em dia por causa dessa beleza da culinária de rua regada à mais deliciosa cerveja.

Bem, agora em São Paulo, vem o Sr. Haddad pra completar a cagada liderando um processo de gentrificação alimentar nunca antes vista na história deste país. Até evento de food truck já teve na praça Charles Miller. Ô prefeito indie. Só falta alguém ter a ideia de botar isso dentro dos estádios. Qual arena coxinha se candidata?

Realmente uma grande tabela Kassab e Haddad. Tiraram os milhares e milhares de carrinhos, carrocinhas e verdadeiras histórias da culinária de rua para gentrificar tudo de mão beijada para uma classe média mimada. Junte isso ao governo Alckmin e você não tem nem comida, nem água.

Parece que não é só o futebol que acabou.

#RIPfutebol #FutebolModernoNÃOéFUTEBOL

por Ricardo “Gordel” Amorais

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3 comentários sobre “Até o rango foi gentrificado no futebol

  1. Caralho velho, vai se fuder! Que texto daora!! Infelizmente eu não vivi os últimos dias do futebol brasileiro na vida adulta, tinha 12 anos, mas eu sinto uma saudade imensa do tempo “da tensão” pré-jogo, pré-cancha, pré mata-mata.
    Abraços!

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